Por mais que a gente jogue coisas fora nas mudanças ou a cada limpeza nas gavetas, as memórias que elas carregavam ficam (às vezes mais espaçadas, e assim que é bom). De repente no meio do dia uma criança conversando com a mãe na calçada te lembra aquela conversa marcante com sua própria mãe, ou quando falta luz, lembra-se daquela noite em que seu pai ficou brincando com você e seus irmãos porque não dava para assistir ao futebol na TV.
Alguns têm o privilégio de ter essas memórias documentadas em vídeos, mas quem tem tempo e disposição para parar e assistir esses vídeos? Eu conheço alguém que teve. Um jovem jornalista por quem torço muito, parou para assistir parte de sua própria vida e fez esse vídeo cujo link estou postando aqui em homenagem e em apoio a ele. Fiquei muito emocionada vendo seu vídeo e me lembrando de coisas da minha infância.
Parabéns, Lucas!
Assistam ao vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=TJBk3nREMsQ
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Que me falta tempo
Sei que demorei demais pra escrever e embora quisesse muito postar um texto novo estou sem tempo hoje, assim como ontem, na semana passada e na retrasada também.
Vou aproveitar pra deixar uma dica de um CD que venho escutando muito: Música de Brinquedo, do Pato Fu. As regravações são ótimas e até eu que não aguentava mais ouvir regravações do Roberto estou apaixonada por "Todos estão Surdos". Nunca tinha visto essa letra com os olhos que vejo hoje em dia. Vai aí um trecho pra quem não conhece:
Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo
Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!
Vou aproveitar pra deixar uma dica de um CD que venho escutando muito: Música de Brinquedo, do Pato Fu. As regravações são ótimas e até eu que não aguentava mais ouvir regravações do Roberto estou apaixonada por "Todos estão Surdos". Nunca tinha visto essa letra com os olhos que vejo hoje em dia. Vai aí um trecho pra quem não conhece:
Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo
Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Que não precisa ser menina
Durante o período em que dividi meu quintal com outras famílias ou repúblicas de estudantes, um ilustre morador me visitava todos os dias durante as férias. E se eu me concedesse o luxo de dormir até mais tarde, lá ia ele bater à minha porta ou remexer minha cortina, com um pedaço da janela sempre aberta pra Bebita entrar e sair. Às vezes chamava exaustivamente “Tia, Roberta! Abre a porta pra mim!” E lá ia eu, de pijama, abrir a porta para aquele um metro de altura, com cabelos encaracolados e aloirados, pele morena como de um surfista e grandes olhos verdes. Se divertia inventando brinquedos com tudo que encontrava. Do abajur, tirava a cúpula e as pedrinhas que decoravam o vidro da base, fazia desenhos como um mosaico; das cartas do baralho que um dia descobriu na gaveta, criava jogos que só ele sabia jogar. Passava horas comigo, mas não gostava de assistir desenho. Gostava de desenhar, comentar as figuras e explorar a casa. Um dia, abrindo as gavetas de um porta-jóias, pedi que não mexesse. Ele questionou o porquê e se adiantando, uma amiguinha dele, que também passara a frequentar a casa, explicou: “É porque aí tem brinco. E brinco é coisa de menina.” Ele cruzou os braços e fez um grande bico de descontentamento e sem pensar respondeu: “Também, quando eu crescer, eu vou ser menina!”
Essa semana, me lembrei dele. Deve estar crescido já. E em uma manhã em que preciso encontrar uma saída, suas palavras me fizeram refletir. Com sua espontaneidade e impulso, quis encontrar uma solução óbvia, mas irreal, para chegar aos brincos. Não precisa ser menina, só precisa pensar um pouco mais pra achar outro caminho.
Essa semana, me lembrei dele. Deve estar crescido já. E em uma manhã em que preciso encontrar uma saída, suas palavras me fizeram refletir. Com sua espontaneidade e impulso, quis encontrar uma solução óbvia, mas irreal, para chegar aos brincos. Não precisa ser menina, só precisa pensar um pouco mais pra achar outro caminho.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Que quando a gente menos espera...
o telefone toca
a chuva vem
o gato entra com um rato na boca
a internet "cai"
a gasolina aumenta
o salário não...
e de repente a idéia aparece
o papel acaba
ninguém chega
o chuveiro queima
o dinheiro some
um avião cai
mais um pouco e a gente desiste
e a cama quebra
o DVD trava
o filme não acaba
o vento espalha
e o sono não chega
finalmente alguém escuta
a porta se abre
o sinal toca
o pagamento chega
e alguém te ama
E quando eu pensava em encerrar meu blog, vários recados me animam a voltar a escrever com prazer, mesmo com pouco tempo e no final de um longo dia de trabalho.
Obrigada a todos!!!
a chuva vem
o gato entra com um rato na boca
a internet "cai"
a gasolina aumenta
o salário não...
e de repente a idéia aparece
o papel acaba
ninguém chega
o chuveiro queima
o dinheiro some
um avião cai
mais um pouco e a gente desiste
e a cama quebra
o DVD trava
o filme não acaba
o vento espalha
e o sono não chega
finalmente alguém escuta
a porta se abre
o sinal toca
o pagamento chega
e alguém te ama
E quando eu pensava em encerrar meu blog, vários recados me animam a voltar a escrever com prazer, mesmo com pouco tempo e no final de um longo dia de trabalho.
Obrigada a todos!!!
sábado, 11 de setembro de 2010
Que tem muita coisa que eu compraria
Compraria alguns sábados livres pra poder viajar,
Paciência pra deixar pendurada na porta e recarregar ao chegar em casa do trabalho,
Vitalidade pra fazer exercícios todos os dias,
Pulmões e joelhos novos pra poder correr em vez de andar,
Sono nas tardes preguiçosas de domingo,
Mais serenidade pra lidar com os problemas
E um cadeado pra minha boca grande
Daria de presente pra algumas pessoas um dispositivo que lhes aumentasse a memória
E um gadget tradutor pra entender quando um “sim” é “não” e um “não” é “sim”
Como gostaria que existisse um dispositivo que proporcionasse sentir o que os outros sentem
Acho que assim coisas ruins seriam evitadas...mas já que tudo isso é sonho
Continuo trabalhando e viajo nas férias, reclamo da vida quando acaba a paciência, vou devagar com meu pilates e tenho tentado “dormir os problemas”...só tá difícil controlar essa boca grande!
Paciência pra deixar pendurada na porta e recarregar ao chegar em casa do trabalho,
Vitalidade pra fazer exercícios todos os dias,
Pulmões e joelhos novos pra poder correr em vez de andar,
Sono nas tardes preguiçosas de domingo,
Mais serenidade pra lidar com os problemas
E um cadeado pra minha boca grande
Daria de presente pra algumas pessoas um dispositivo que lhes aumentasse a memória
E um gadget tradutor pra entender quando um “sim” é “não” e um “não” é “sim”
Como gostaria que existisse um dispositivo que proporcionasse sentir o que os outros sentem
Acho que assim coisas ruins seriam evitadas...mas já que tudo isso é sonho
Continuo trabalhando e viajo nas férias, reclamo da vida quando acaba a paciência, vou devagar com meu pilates e tenho tentado “dormir os problemas”...só tá difícil controlar essa boca grande!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Que eu recomendo que façam o mesmo!
"Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário.
Cumpre alto. Sê teu filho."
Ricardo Reis
Junto com a carta havia um bilhetinho de última hora. E foi com essas palavras que iniciei minha viagem no tempo e preparei o coração pras lágrimas que inivitavelmente chegaram. Nela perguntei por pessoas que não encontro mais. Talvez já soubesse que o tempo nos separa.
As esperanças que tinha, se cumpriram quase todas. Acho que só faltou o mestrado (mas no lugar ficou uma especialização) e voltar pra Tupã, que na época eu queria, hoje não quero mais.
Parei de fumar, coisa que na carta não acreditava conseguir. Encontrei amores que passaram e um amor que ficou. O livro que queria escrever virou blog, mas essa foi uma adaptação pra era digital.
Mágoas que pretendia curar passaram com certeza, mas novas mágoas tomaram seu lugar temporariamente. Sempre nos curamos e criamos novas feridas. Nos meus trinta anos, cogitava sinais do tempo na pele. Eles existem com certeza, mas não muitos. Tenho me cuidado pra que o tempo chegue devagar.
Escrevi a carta em um dia dos pais em que meu pai estranhamente não chorou ao telefone. No último domingo foi dia dos pais e ele chorou tanto que quase nem conseguiu falar comigo. Anda sensível esse vovô que se prepara dentro dele.
Meus sonhos de agora são maiores do que os de antes. Sonhava com coisas pequenas de quem inicia a vida. Tinha vinta anos, mas era uma menina na época. Pouco conhecia do mundo e das outras pessoas. Agora tenho mais segurança e não me afeta tanto o que pensam as outras pessoas sobre mim.
O final da carta foi arrebatador; é estranho como alguém que conhecia tão pouco do mundo pode mandar um recado que soa tão maduro e sábio.
“Espero que as coisas estejam bem melhores com você do que estão comigo. Talvez não tenha plantado tudo isso que esperava colher, mas ainda há tempo. Se nada tiver nascido, plante agora. Você terá dez anos de cultivo.”
Minha carta não era pessimista. Era uma motivação pra recomeçar se os primeiros 10 anos tivessem sido de fracasso. Acho que vou escrever a próxima pra daqui a cinco anos. Já nao tenho muito tempo a perder e foi muito motivador ver que mesmo sem me lembrar do que estava escrito, consegui conquistar o que desejava.
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário.
Cumpre alto. Sê teu filho."
Ricardo Reis
Junto com a carta havia um bilhetinho de última hora. E foi com essas palavras que iniciei minha viagem no tempo e preparei o coração pras lágrimas que inivitavelmente chegaram. Nela perguntei por pessoas que não encontro mais. Talvez já soubesse que o tempo nos separa.
As esperanças que tinha, se cumpriram quase todas. Acho que só faltou o mestrado (mas no lugar ficou uma especialização) e voltar pra Tupã, que na época eu queria, hoje não quero mais.
Parei de fumar, coisa que na carta não acreditava conseguir. Encontrei amores que passaram e um amor que ficou. O livro que queria escrever virou blog, mas essa foi uma adaptação pra era digital.
Mágoas que pretendia curar passaram com certeza, mas novas mágoas tomaram seu lugar temporariamente. Sempre nos curamos e criamos novas feridas. Nos meus trinta anos, cogitava sinais do tempo na pele. Eles existem com certeza, mas não muitos. Tenho me cuidado pra que o tempo chegue devagar.
Escrevi a carta em um dia dos pais em que meu pai estranhamente não chorou ao telefone. No último domingo foi dia dos pais e ele chorou tanto que quase nem conseguiu falar comigo. Anda sensível esse vovô que se prepara dentro dele.
Meus sonhos de agora são maiores do que os de antes. Sonhava com coisas pequenas de quem inicia a vida. Tinha vinta anos, mas era uma menina na época. Pouco conhecia do mundo e das outras pessoas. Agora tenho mais segurança e não me afeta tanto o que pensam as outras pessoas sobre mim.
O final da carta foi arrebatador; é estranho como alguém que conhecia tão pouco do mundo pode mandar um recado que soa tão maduro e sábio.
“Espero que as coisas estejam bem melhores com você do que estão comigo. Talvez não tenha plantado tudo isso que esperava colher, mas ainda há tempo. Se nada tiver nascido, plante agora. Você terá dez anos de cultivo.”
Minha carta não era pessimista. Era uma motivação pra recomeçar se os primeiros 10 anos tivessem sido de fracasso. Acho que vou escrever a próxima pra daqui a cinco anos. Já nao tenho muito tempo a perder e foi muito motivador ver que mesmo sem me lembrar do que estava escrito, consegui conquistar o que desejava.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O que será que está escrito na carta?
Gosto de remexer o passado. Ele me lembra de coisas importantes e metas que eu tinha e com o tempo se perderam. Não posso me esquecer delas. Esqueço a cada ano novo, que prometi aquela dieta pra voltar à forma de uns 4 anos atrás, a cada final de semana em casa, que tínhamos prometido sair mais, a cada chocolate, que preciso controlar minha ansiedade e assim sigo esquecendo o que quero e lembrando o que me agrada.
Sábado, me sentei na cama e começei a folhear o caderno que ganhei da minha tia Laís quando entrei na faculdade. “Pra você se lembrar de mim enquanto estuda”. Mas ele foi muito mais importante! Nele, muitos rabiscos e muitos textos, na maioria poemas tristes, muitas lágrimas que secaram sobre as folhas sem deixar marcas.
Penso o que fariam dele na ocasião de minha morte. Alguém leria? Não entenderiam muito da letra corrida, mais lenta que o pensamento que queria sair. Teriam pena da minha tristeza daquele tempo? Possivelmente. Eu não tenho. Aprendi muito sobre mim mesma naquela época que sofria longe da família, sem amor, sem muita perspectiva de futuro.
E foi justamente pelo futuro que folheei o tal caderno, presente da tia Laís. Entre suas páginas uma carta datada do dia 13 de agosto de 2000. Envelopada e com o endereço do remetente: Rua Benjamin Constant, 1430, apto 22, Centro, Londrina. Foi naquele quarto de uns dos meus lugares favoritos, Londrina, que escrevi uma carta para ser aberta 10 anos depois. Uma carta que guardei pacientemente sem jamais ter tentado burlar e ler pela transparência do envelope. O que sei é que o papel é amarelo, quase nada mais me lembro.
Sei que muitas das coisas escritas nela não aconteceram (10 anos mudam muita coisa)
e que aquela para quem pensava estar enviando a carta não existe, felizmente, já que seu futuro não seria muito feliz.
Sexta-feira, 13 de agosto (será que existe data mais mal vista em todo o calendário?) abrirei minha carta que desde o último sábado espera por mim ansiosamente ao lado do computador. Eu estou me preparando para escrever outra logo depois de ter lido a primeira. Mais dez anos sonhados, talvez, agora, com um pouco mais de otimismo.
Sábado, me sentei na cama e começei a folhear o caderno que ganhei da minha tia Laís quando entrei na faculdade. “Pra você se lembrar de mim enquanto estuda”. Mas ele foi muito mais importante! Nele, muitos rabiscos e muitos textos, na maioria poemas tristes, muitas lágrimas que secaram sobre as folhas sem deixar marcas.
Penso o que fariam dele na ocasião de minha morte. Alguém leria? Não entenderiam muito da letra corrida, mais lenta que o pensamento que queria sair. Teriam pena da minha tristeza daquele tempo? Possivelmente. Eu não tenho. Aprendi muito sobre mim mesma naquela época que sofria longe da família, sem amor, sem muita perspectiva de futuro.
E foi justamente pelo futuro que folheei o tal caderno, presente da tia Laís. Entre suas páginas uma carta datada do dia 13 de agosto de 2000. Envelopada e com o endereço do remetente: Rua Benjamin Constant, 1430, apto 22, Centro, Londrina. Foi naquele quarto de uns dos meus lugares favoritos, Londrina, que escrevi uma carta para ser aberta 10 anos depois. Uma carta que guardei pacientemente sem jamais ter tentado burlar e ler pela transparência do envelope. O que sei é que o papel é amarelo, quase nada mais me lembro.
Sei que muitas das coisas escritas nela não aconteceram (10 anos mudam muita coisa)
e que aquela para quem pensava estar enviando a carta não existe, felizmente, já que seu futuro não seria muito feliz.
Sexta-feira, 13 de agosto (será que existe data mais mal vista em todo o calendário?) abrirei minha carta que desde o último sábado espera por mim ansiosamente ao lado do computador. Eu estou me preparando para escrever outra logo depois de ter lido a primeira. Mais dez anos sonhados, talvez, agora, com um pouco mais de otimismo.
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