domingo, 24 de abril de 2011

Que não tem que durar pra sempre

Experimente fazer as pazes com seu passado
E entenda que ele existiu
Mas não tem que durar pra sempre

Perdoe alguém que te magoou
E peça perdão pelos seus erros
Porque os outros sofrem como você

Leia páginas antigas do seu diário
(Não tem um?)
Escreva um diário para não se esquecer

Esquecer não é uma grande virtude
Grandioso é viver feliz mesmo se lembrando
Aprende-se muito refletindo

Escolha uma canção para cada problema
Um filme para cada fase da sua vida
E escreva uma carta de amor para cada um deles

Preocupe-se com quem te cerca
E ligue, escreva um e-mail, um post ou sms
Não tenha vergonha de mostrar seu afeto

Diga a quem quer que seja
“Eu te amo”
“Você é (ou foi) parte importante da minha vida”

sábado, 16 de abril de 2011

Só eu sei de mim

Cada um sabe o dedo que lhe dói no sapato
E que às vezes um real não é só um real
Todo mundo merece um dia pra sofrer
E outro pra ser feliz

Tem histórias que merecem ser contadas
Mas muitas devem ser esquecidas
Sem jamais precisar compartilhar
Como aquele dia em que...

Deixar pá lá é o mais sábio
E amigo nem sempre quer conselho
Falar mal de quem amo é desabafo
Reclamar de quem você ama é ofensa

Só eu e mais ninguém sabe do que sofro
E sua dor te parece maior que a minha
É a lei da autopiedade
Minha cruz é sempre maior que a sua

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Que não estou sozinha

Hoje tive um encontro com Deus. Não, eu não sofri um acidente ou tomei o santo daime nem nada parecido. O encontrei no cruzamento da Herval com a XV de Novembro. Era um senhor quase negro vestido de branco que parou do meu lado.
Parei na esquina para poder atravessar a rua e vi que alguém se aproximava. Sua roupa me chamou a atenção. Não porque estivesse suja ou fosse diferente, mas pela cor. Estava todo vestido de branco contrastando com sua pele morena e mais bronzeada ainda pelo sol que já a deve ter castigado por muito tempo. No meio do peito um crachá, onde se lia apenas seu nome: “DEUS”, pendurado com um alfinete.
O inusitado me fez olhar para o chão e sorrir discretamente. Discretamente para não ofender; fosse ele Deus ou não, poderia se ofender. Caminhamos lado a lado durante uma quadra toda e enquanto eu caminhava ao lado daquele senhor, de forma estranhamente confortável já que nossa natureza individualista nos faz apressar o passo ou diminuir o ritmo para nos afastar, apenas pensava.
Naquela situação corriqueira e no espaço de uma quadra, refleti.O que faria eu se encontrasse com Deus? Será que questionaria coisas do tipo: “Por que tantos sofrem?” “Sobreviveremos aos desastres naturais que nos ameaçam constantemente?”, “Um dia aprenderemos a conviver com nossas diferenças?”
Cheguei à conclusão de que não, não perguntaria nada. Naqueles poucos segundos que caminhamos lado a lado, o senhor “Deus” do meu encontro e eu, não tive necessidade de perguntas. Fiquei curiosa, é claro, para saber o motivo de seu crachá e suas vestes, mas “sentir” em vez de “saber” foi o mais importante. Senti-me honrada de ter caminhado uma quadra ao lado de Deus em sua forma materializada.
Hoje de manhã, me dei conta de que havia me esquecido que Ele está sempre ali, ao meu lado, mas como está calado, quietinho, não O percebo. Os problemas que andavam me preocupando desapareceram quando me lembrei que não estou sozinha.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Que foi um mês especial

Hoje faz um mês que nossos planos falharam: nosso peru não foi pro forno, nossa ceia de natal não aconteceu. Mas ninguém ficou triste, embora tenhamos chorado.
Choramos abraçados nos corredores silenciosos de um hospital, andamos de um lado pro outro ou nos entretemos com joguinhos viciantes de celulares, lemos e fizemos orações...cada um do seu jeito esperava e sabíamos que era o fim da espera. Espera de nove meses. Nove meses de preparação pra ser de repente, na véspera de natal. Não poderia haver data mais propícia; data de nascimento! Silêncio quebrado por um choro agudo. Choro de quem sai do conforto para desbravar o mundo.
Nasceu de olhos bem abertos nossa japonesinha. Esperta e ávida por descobrir quem eram aqueles que a esperavam. Parece prestar atenção e entender tudo que a dizem, dorme mais durante o dia do que à noite e cresce um pouquinho a cada dia. Foi um mês especial com certeza. Que os seguintes assim o sejam e que o Senhor continue abençoando Isadora.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Que Isadora está chegando :D

Minhas palavras são insuficientes. Palavras que ainda incertas se apressam a conhecer a quem descreverá. Será calma? Ou agitada? Será careca? Talvez cabeluda! Sei pouco, muito pouco sobre ela. Mas sei sobre quem a espera. A esperam duas famílias que há muito não têm bebês. Uma delas, a que conheço melhor, aguarda há anos esse bebê que fosse menino ou menina seria um sopro de vida e novas motivações. Comemorar o natal? É pra Isadora! E na casa onde nunca existiu uma árvore colorida e um presépio, hoje há uma árvore feita especialmente pra ela, provavelmente feita pelas mãos do pai através da arte que veio do oriente, do mesmo lugar de onde virão seus olhos pequenos e talvez seu gosto pelas artes, uma tradição na família.
Será uma princesa com um trono em cada um dos corações ávidos pelo amor de Isadora. Uma princesa que habitará um quarto onde antes havia coisas encaixotadas, coisas sem lugar pra guardar. Agora, por mais importantes que fossem, precisaram ceder espaço. Um lugar lindo a aguarda a qualquer momento.Um momento que será mágico pra todos os chorões que já planejam dormir apertados, na sala, ou até mesmo no chão da cozinha se preciso for pra passar o Natal com ela.
Tomara que chegue antes. Melhor ainda se chegasse no dia 22, de presente pra essa tia boba que não vê a hora de conhecê-la.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Que epifania é epifania

No ímpeto do arremesso, a força e a ira desencadearam sentimentos há muito guardados. A lembrança e evocação de quem se foi e o sentimento acolhedor das memórias da presença da mãe fizeram clamar por paz interior. “Não quero mais nada. Só paz. Quero parar de sentir raiva. Cansei de sentir raiva, e de urrar como um animal enjaulado”.
No pedido, em um canto escuro com os olhos fechados, como em um envólucro, a cabeça pesou e o queixo foi se recostando ao peito, a coluna arredondando e o corpo se envolveu como o de um bebê aninhado no útero. Foram o sufocamento e a angústia de não poder fazer nada para cessar esse sentimento, a epifania pela qual esperava. O útero apertado e o clamor à mãe,ou a qualquer outro que pudesse ajudar foram inúteis. A raiva da impotência ficou toda armazenada e ressurgia a cada vez que o cárcere físico ou comportamental engatilhasse surtos outrora incompreensíveis por causa do dia que queria nascer e não conseguiu.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Que agora eu entendo Vinte e Nove

Na minha infância eu ouvi Xuxa e Menudo, na adolescência, Dominó, Polegar e de repente comecei a gostar da música que minha irmã ouvia. Então ouvi Elis, Cazuza, comecei a prestar atenção às letras e um dia descobri Legião Urbana.
Várias músicas marcaram como aquelas com letras que aprendi na persistência - como esquecer tantas tardes decorando Faroeste Caboclo? Todo fã de Legião tem que saber Faroeste Caboclo! Entre minhas preferidas, Sereníssima, Eduardo e Mônica, Índios e Vinte e Nove. Me lembro que no auge de minha adolescência conturbada e melancólica, a tristeza das letras se aproximava tanto de minha realidade que Vinte e Nove se destacava por ser uma música que gostava mas me parecia distante.
Imaginava um adulto de 29 anos que perdera tudo que conquistou nos anos anteriores. Eu não havia perdido nada. Nos 15 anos em que me protegi do mundo, aquelas perdas não me tocavam tanto quanto o pesar que sentia por Renato Russso. Recordo da tarde quando soubemos da morte dele e como senti falta de novos álbuns...

Hoje, Vinte e Nove é diferente para mim.

“Perdi 20 em 29 amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos”

Hoje, com 30, sei do que Renato falava.

“E 29 anjos me saudaram
E tive 29 amigos outra vez”


Para quem não conhece, a letra na íntegra


Vinte E Nove
Renato Russo

Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez